As areias de Brejo Grande, no litoral norte de Sergipe, guardam um potencial que vai além da paisagem. Na região do delta do rio São Francisco, depósitos de minerais pesados reúnem diferentes recursos de interesse econômico. Esse potencial mineral colocou o município no radar da Backshore Resources, responsável pelo Saramém Project, que pesquisa ocorrências de zircão, ilmenita e monazita - mineral associado a elementos de terras raras.
Pesquisas realizadas pela empresa identificaram minerais de interesse ao longo de cerca de 47 quilômetros de faixas mineralizadas na área estudada, no Saramém. O volume de material mineralizado é estimado em 196 milhões de toneladas, das quais, em média, 2,3% correspondem a minerais pesados. As ocorrências estão próximas à superfície, característica que também favorece o processo de extração.
O consultor em mineração da Desenvolve-SE, Antônio Sérgio Ferrari, ressalta que a pesquisa mineral é fundamental para identificar oportunidades e atrair novos investimentos para Sergipe. “Por isso, a agência também trabalha para ampliar o conhecimento sobre os recursos minerais do estado por meio de estudos, levantamentos e mapas que apresentam a distribuição dos minerais e a situação dos processos minerários. Essas informações ajudam investidores a avaliar o potencial do território e a identificar oportunidades compatíveis com seus interesses”, afirma.
Potencial regional
Para entender melhor o potencial de Brejo Grande, é preciso olhar para a própria formação da área. Localizada no delta do rio São Francisco, o Saramém apresenta uma paisagem formada por antigos depósitos de areias, incluindo paleodunas, formadas pela ação do vento e que ficaram preservadas no registro geológico. É nesse terreno que foram identificadas faixas com concentração de minerais pesados, como zircão, ilmenita e monazita.
Segundo o CEO da Backshore Resources, Ricardo Gallart, os estudos também buscam identificar novas áreas mineralizadas, com o objetivo de ampliar os recursos já definidos e aprofundar o conhecimento sobre o depósito.
“Este é um setor em que o Brasil tem muita vantagem competitiva. Os estudos realizados até o momento nos permitiram consolidar os recursos minerais e avançar em duas frentes: o crescimento dos recursos, com a pesquisa em novos alvos, e a consolidação da rota de beneficiamento mineral, que sustentará o desenho final da operação", explica.
Minerais encontrados
Por estarem próximos à superfície, os minerais encontrados na área do Saramém permitem a escavação livre (free digging). Com a concentração do material presente na própria areia da superfície e acima do lençol freático, os minerais podem ser retirados sem a necessidade de desmonte de rochas. A lógica é retirar o material superficial e separar fisicamente os minerais de interesse da maior quantidade de areia que não constitui o produto mineral.
Essa separação acontece em etapas. O projeto prevê inicialmente a concentração por via úmida, utilizando a água (ou outros fluidos) como meio de transporte e separação para isolar os minerais presentes na areia. A partir disso, outros métodos de separação permitirão obter diferentes frações minerais. Nos testes já realizados pela empresa, por exemplo, foram obtidos um concentrado não magnético rico em zircão e outro magnético rico em ilmenita.
Os estudos também mostram que mais de 95% do material processado retorna à cava, com recomposição da topografia de forma semelhante à configuração original da área. Além disso, também foi avaliado o aproveitamento da monazita, mineral associado a elementos de terras raras. Testes realizados com o concentrado de minerais pesados conseguiram separar uma fração rica em monazita, posteriormente submetida a uma nova etapa de concentração.
Saramém Project
O Saramém Project está em fase de desenvolvimento, com pesquisas minerais e testes de processamento já realizados e avanço dos procedimentos necessários ao licenciamento e à futura operação. No depósito Jiboia, uma das frentes mais avançadas do projeto, estão em andamento o requerimento para mineração e o licenciamento ambiental. O planejamento da Backshore Resources prevê ainda uma etapa pré-operacional, com a implantação de uma planta-piloto, antes do início da produção em escala comercial.
Estimada entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões, a planta-piloto será destinada a produzir concentrados para potenciais clientes e avançar nos estudos, licenciamento e autorizações. Após isto, o projeto será implantado em fases. Na primeira fase, a previsão é de uma planta de concentração a úmido, instalação que utiliza água no processo de separação dos minerais pesados presentes na areia.
A planta terá capacidade de processamento de 1,4 milhão de toneladas por ano, com investimento estimado entre US$ 10 milhões e US$ 12 milhões, e produção projetada de 36 mil a 40 mil toneladas anuais de concentrado rico em titânio, zircônio e terras raras. Também são estimados 107 empregos diretos e 320 indiretos. Posteriormente, a Backshore Resources projeta uma segunda fase com capacidade significativamente maior.
Oportunidade estratégica
O Saramém Project integra um movimento mais amplo de desenvolvimento da mineração em Sergipe. Nesse cenário, a Desenvolve-SE atua na identificação de oportunidades, produção de informações estratégicas e aproximação com empresas e investidores, além de apoiar iniciativas voltadas à ampliação do conhecimento geológico do estado.
“Projetos como o Saramém têm papel relevante na diversificação da economia sergipana e no posicionamento do estado na agenda de minerais críticos, tema central para o Brasil nos dias de hoje. Estamos comprometidos com uma mineração tecnicamente responsável, socialmente dialogada e em sintonia com a estratégia do estado de atrair investimentos”, conclui o CEO da Backshore Resources.
Em Brejo Grande, o projeto mostra como esse conhecimento pode revelar novas possibilidades econômicas a partir dos recursos minerais do território. Embora uma eventual produção ainda dependa de etapas técnicas, ambientais e regulatórias, o Saramém abre uma nova frente para a mineração sergipana.
“A Desenvolve-SE tem trabalhado para mostrar o potencial de Sergipe e facilitar a aproximação com empresas interessadas em investir no estado. A partir de estudos, levantamentos e do diálogo com investidores, buscamos identificar oportunidades e entender o que é necessário para viabilizar novos projetos”, conclui o consultor em mineração da Desenvolve-SE, Antônio Sérgio Ferrari.

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