Uma operação de campo iniciada na tarde e concluída na noite desta quarta-feira (14) pela Delegacia Geral de Homicídios (DGH) tomou um rumo inesperado em Boa Vista. Enquanto procuravam a arma utilizada no assassinato de José Williams Fidelis Farias, de 41 anos (conhecido como "Keka" ou "Queco"), os investigadores localizaram uma estrutura clandestina com uma aeronave parcialmente desmontada, peças aeronáuticas, equipamentos de garimpo e mais de 2 mil litros em capacidade de armazenamento de combustível de aviação (AVGAS).
A ação resultou na prisão em flagrante de quatro pessoas por crime ambiental — três homens e uma mulher — em dois imóveis situados nos bairros Alvorada e Murilo Teixeira Cidade (conjunto Satélite City).
A investigação teve início após a localização do corpo de "Keka" na madrugada do último sábado, 10 de outubro, nas proximidades do Polo São Silvestre, a cerca de 2,5 quilômetros da rodovia RR-205 (acesso a Alto Alegre). A vítima foi assassinada com sete tiros de arma de fogo na cabeça, tórax e braços, ao lado de sua motocicleta.
Conforme explicou o delegado titular da DGH, Thiago Alexandre, a equipe foi a campo nesta quarta-feira (14) para cumprir mandados de busca e apreensão da suposta arma de fogo empregada no crime. Contudo, ao entrarem nos endereços mapeados, os agentes se depararam com uma vasta estrutura logística para suporte aeronáutico e garimpo ilegal.
No primeiro endereço, no bairro Alvorada, a Polícia Civil prendeu L.P., de 27 anos, e sua mãe, M.L.P.P., de 65 anos. No local foram recolhidas 18 bombonas plásticas cheias de líquido azul e duas abertas contendo AVGAS, além de geradores, um motor aeronáutico de seis cilindros, hélice, balanças, munições calibre .40 e uma antena de internet via satélite.
Em seguida, no conjunto Satélite City, os policiais prenderam F.J.A.N., de 34 anos, e J.J.G.A., de 33 anos. Na residência, a equipe apreendeu 24 carotes de combustível, uma aeronave Cessna modelo 182 parcialmente desmontada e uma esteira resumidora da marca Polymac, comumente empregada no garimpo ilegal de ouro e cassiterita.
No total, os recipientes somavam 42 carotes com capacidade de 50 litros cada (totalizando 2.100 litros de armazenamento). Devido ao volume do material, a DGH contou com apoio logístico do Exército Brasileiro para o transporte dos bens, da Força Nacional para a catalogação pericial e do Ibama para autuações administrativas.
Os quatro envolvidos foram conduzidos à sede da DGH e autuados em flagrante com base no artigo 56 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que pune a estocagem, processamento e comercialização ilícita de substâncias perigosas ou nocivas à saúde humana e ao meio ambiente.
Por se tratar de crime afiançável, o delegado arbitrou a fiança individual no valor de R$ 10 mil para cada um dos autuados. A DGH ressaltou que as investigações prosseguem para determinar se os materiais apreendidos possuem ligação direta com o homicídio de "Keka", além de identificar a origem do combustível e da aeronave.
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