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Da cozinha de casa ao próprio negócio: alunas do Fundo Social de SP encontram na qualificação profissional uma nova fonte de renda

Após concluírem cursos gratuitos de Confeitaria e Panificação do Fundo Social na Praça da Cidadania, Jéssica e Janine começaram a empreender e hoje...

31/10/2026 05h38
Por: Ribamar Rocha Fonte: Secom SP
Embora tenham histórias diferentes, as duas compartilham a experiência de descobrir novas possibilidades de trabalho por meio da qualificação profissional - Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
Embora tenham histórias diferentes, as duas compartilham a experiência de descobrir novas possibilidades de trabalho por meio da qualificação profissional - Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

O que antes era feito apenas para familiares e amigos se transformou em oportunidade de negócio para duas moradoras de Guarulhos, na Grande São Paulo. Jéssica Monteiro, 29 anos, e Janine Conceição, 46, encontraram nos cursos gratuitos de qualificação profissional oferecidos pelo Fundo Social de São Paulo, na Praça da Cidadania , o conhecimento necessário para transformar suas habilidades na cozinha em uma nova fonte de renda. Após concluírem as formações em 2025, ambas passaram a produzir e vender alimentos em casa.

Embora tenham histórias diferentes, as duas compartilham a experiência de descobrir novas possibilidades de trabalho por meio da qualificação profissional. Para Jéssica, a confeitaria faz parte de sua vida desde a infância. Criada pela mãe, que trabalhava para sustentar as três filhas, ela aprendeu a fazer bolos com uma mulher que ajudava a cuidar das crianças enquanto a mãe trabalhava.

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“Conforme foi passando, eu fui pegando amor por aquilo e fui fazendo. Mas eu fazia bolos em casa mesmo, né? Para as pessoas próximas. Nunca fiz bolo para pessoas de fora”, relembra.

Jéssica contou com o apoio da família para começar seu próprio negócio na frente de casa – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
Jéssica contou com o apoio da família para começar seu próprio negócio na frente de casa – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Moradora do Parque Jandaia, Jéssica nunca havia trabalhado com carteira assinada e buscava uma oportunidade de se profissionalizar. Em 2020, chegou a vender pães de mel, mas interrompeu a atividade durante a pandemia. Determinada a aprimorar suas habilidades, encontrou a Praça da Cidadania de Guarulhos, onde se inscreveu nos cursos de Confeitaria Básica e Avançada.

Durante as aulas no Fundo Social, um episódio marcou sua trajetória. Ao encontrar dificuldades para alisar a cobertura de um bolo decorado, recebeu o incentivo da professora, que a ajudou a executar a técnica e a encorajou a continuar. A experiência contribuiu para que Jéssica ganhasse confiança para aceitar encomendas e ampliar a produção.

“Abriu uma janela na minha mente. Eu fazia bolo para o meu pessoal, meus parentes de perto. A partir do momento em que eu fiz o curso, abriu um divisor e eu consegui entender que eu era capaz de fazer para outras pessoas”, conta.

Com o apoio da mãe, da irmã e do marido, Jéssica decidiu começar a vender seus produtos após concluir a formação. A primeira encomenda, de um bolo decorado, chegou em agosto de 2025. Apesar da insegurança inicial e dos poucos recursos para investir em equipamentos, ela conseguiu atender ao pedido e recebeu elogios.

“Eu me senti um pouco apreensiva. Mas eu fiz e no final deu tudo certo; tive elogios. Disseram que estava muito bom, que iriam recomendar para outras pessoas e desde então, eu continuei”, recorda.

Hoje, Jéssica mantém uma confeitaria em casa, onde produz bolos decorados, bolos caseiros, doces e tortas salgadas sob encomenda. A produção chega a cerca de sete pedidos por semana. Em algumas ocasiões, ela também organiza festivais de fatias de bolo em frente à própria residência.

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Além de contribuir para a renda familiar, o empreendimento trouxe mudanças à rotina de Jéssica. Trabalhando em casa, ela consegue acompanhar mais de perto o crescimento dos filhos e conciliar os pedidos com os compromissos da família.

“Antes eu tinha que deixar meus filhos com outras pessoas. E eu, estando em casa, agora, consigo fazer os bolos com eles. Eu consigo levar à escola e buscar. Mesmo com eles em casa, eu consigo fazer o meu trabalho”, relata.

De um desafio a uma nova profissão

Se o interesse de Jéssica pela confeitaria começou na infância, para Janine, moradora do bairro dos Pimentas, a panificação surgiu de maneira inesperada. Manicure e pedicure há quase dez anos, ela começou a fazer pães por incentivo do marido, que é pastor. A ideia inicial era preparar o pão utilizado nas celebrações religiosas da igreja que frequentam.

Janine Conceição levou os conhecimentos adquiridos na sala de aula direto para a cozinha de casa, onde prepara os pães que hoje complementam a renda familiar – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
Janine Conceição levou os conhecimentos adquiridos na sala de aula direto para a cozinha de casa, onde prepara os pães que hoje complementam a renda familiar – Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

“Pra você ter uma ideia, eu não gosto de cozinhar. Já viu isso? Não gosto de cozinhar. Eu nunca nem tinha feito pão antes”, conta, aos risos.

Sem experiência com panificação, Janine aceitou o desafio e começou a testar receitas em casa. Os primeiros resultados foram satisfatórios, mas, com o tempo, os pães passaram a apresentar problemas de textura e sabor. Por indicação de uma amiga, decidiu procurar a Praça da Cidadania do Fundo Social para aprimorar suas habilidades.

Em 2025, participou dos cursos de Panificação Básica e Avançada, realizados em sequência. Durante as aulas, aprendeu sobre as diferentes etapas da produção, desde a escolha dos ingredientes e o preparo da massa até o tempo de fermentação e a modelagem dos pães.

“Tem toda uma técnica, carinho, dedicação e atenção”, explica. “Tem o processo de crescimento, que você tem que ter paciência. Tantas coisas que a gente não tem paciência na vida, né? Mas com o pão, tem que esperar crescer.”

O que começou como uma atividade voltada à igreja ganhou novos caminhos ainda durante a formação. Incentivada pela professora e por pessoas próximas, Janine percebeu que poderia comercializar os pães e complementar a renda obtida como manicure.

“Eu falava que não ia vender. Eu só queria fazer o pão por conta da Santa Ceia, porque a igreja precisava e, para mim, estava tudo certo”, relembra. A decisão mudou quando as pessoas começaram a demonstrar interesse em comprar seus produtos. “Demorou a cair a minha ficha de que eu poderia colocar mais uma atividade na minha vida para gerar mais renda.”

As primeiras vendas começaram em fevereiro de 2026, com pães de leite e de sal. Aos poucos, Janine ampliou o cardápio. Atualmente, a demanda varia conforme a semana, chegando a seis ou nove pães por dia nos períodos de maior movimento.

Mãe de três meninos, Janine encontrou na produção caseira uma alternativa para ampliar a renda sem deixar de acompanhar a rotina familiar. Para atender às encomendas, costuma preparar os pães durante a madrugada, quando a casa está mais tranquila e ela consegue se dedicar integralmente ao trabalho.

“Não vou dizer pra você que estou ganhando milhões, mas é um dinheiro que dá pra fazer outras coisas, sabe? É o dinheiro que, se estiver faltando algo na minha casa, ou algo pros meus filhos, ou algo pra mim, eu posso usar esse valor pra essa falta. Quando eles me falam ‘mãe, compra uma bolacha?’ e eu digo ‘vamos pegar bolacha, menino!’, afirma.

Sobre o programa do Fundo Social

Com negócios em diferentes estágios, Jéssica e Janine seguem construindo seus projetos a partir das habilidades desenvolvidas nos cursos. Enquanto Jéssica sonha em abrir uma loja física com uma cozinha mais ampla, Janine pretende expandir a produção caseira e, futuramente, dedicar-se exclusivamente à panificação.

As trajetórias das duas empreendedoras se somam às de mais de 18,4 mil alunos formados em 2026 pelas Escolas de Qualificação Profissional, programa do Fundo Social de São Paulo realizado em diferentes unidades, em parceria com a Fundação FAT e o Senac. A iniciativa oferece cursos gratuitos com o objetivo de promover a autonomia e ampliar as oportunidades de geração de renda para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

As formações abrangem áreas como Moda, Beleza, Gastronomia, Informática, Construção Civil e Administração. As atividades são realizadas em 20 unidades na Região Metropolitana de São Paulo, incluindo Praças da Cidadania, Centros de Integração da Cidadania (CICs), entidades parceiras na capital e espaços em municípios conveniados.

As inscrições são permanentes e podem ser realizadas pelo site [email protected] .

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